O issoqueeufalei passa por um dos maiores períodos de inatividade de sua curta, porém promissora, história. Mas não, ele não foi desativado. Está apenas numa fase de recesso por tempo indeterminado, justificado pela quase total ausência de meios tecno-virtuais ao meu alcance.
Algumas idéias povoaram minha mente nos tempos recentes, mas deixaram de ser redigidas por um capricho do destino. Um, não! Dois: a falta de um computador e a preguiça de me submeter à jurássica arte de usar caneta e papel, posteriormente seguida da transcrição ao Word e dali para a rede mundial.
Neste contexto, o Projeto Diamantina II A Saga Completa deixou de se transformar em palavras, como o fez seu antecessor, e tende a lentamente perecer nas lembranças e corações daqueles (ainda) jovens privilegiados que vivenciaram aquela expedição. Minha empreitada por terras capixabas, o tímido renascimento de um Gigante no futebol paulista, o estapafúrdio regulamento do Campeonato Carioca, a formatura ah, a formatura! A saudade dos melhores caras do mundo, os estabelecimentos comerciais com nomes, sobrenomes ou apelidos de antigos companheiros, meus primeiros passos como profissional da grande mídia. Todos deixaram de ser relatados à posteridade. Quem sabe um dia.
Enfim, o issoqueeufalei está congelado, mas seu sangue permanece vivo e vibrante. Em breve, ele voltará. Por enquanto, fica aqui minha explanação ao meu público-leitor acerca da falta de atualizações, embora eu nunca tenha me enganado de que eu sou o único internauta que ainda acessa este pequeno blog. Até o retorno!
1) Quando houver só uma pessoa no elevador, de um tapinha no ombro dela e finja que não foi você.
2) Aperte os botões do elevador e finja que eles dão choque. Sorria, e faça de novo.
3) Se ofereça para apertar os botões para os outros, mas aperte os botões errados.
4) Segure a porta e diga que está esperando por um amigo. Depois de algum tempo deixe a porta fechar e diga: "Olá Zé! Como vai você?
5) Deixe cair sua caneta e espere até alguém se oferecer para pegá-la; então grite: "Ei, é minha!
6) Traga uma câmera e tire fotos de todos no elevador.
7) Traga uma mesa para dentro do elevador e quando alguém entrar, pergunte se marcaram hora.
8) Leve um Banco Imobiliário e pergunte para as pessoas se elas querem jogar.
9) Deixe uma caixa no canto, e quando alguém entrar, pergunte se elas ouviram um tique-taque.
10) Finja ser uma aeromoça e revise os procedimentos de emergência com os passageiros.
11) Pergunte: " Você sentiu isso?"
12) Fique bem perto de alguém, fungando seu cangote de vez em quando.
13) Quando a porta se fechar, fale: "Tudo bem. Não entrem em pânico. Ela abrirá novamente".
14) Mate moscas que não existem.
15) Diga às pessoas que você pode ver a aura delas.
16) Grite: "NINGUÉM É DE NINGUÉM...!!" e apague as luzes.
17) Faça caretas enquanto bate dolorosamente na sua própria testa e murmure: "Calem a boca, todos vocês, calem a boca!".
18) Abra sua pasta ou bolsa, e enquanto olha dentro, pergunte: "Tem ar suficiente aí dentro?"
19) Fique quieto e parado no canto do elevador, encarando a parede
20) Encare outro passageiro por um tempo, e grite com horror: "Você é um deles!" e recue devagar.
21) Coloque uma marionete na mão e use-a para falar com os outros.
22) Pegue um estetoscópio e ausculte as paredes do elevador.
23) Faça barulhos de explosão com a boca quando alguém apertar um botão.
24) Encare outro passageiro por um tempo, e fale: "Estou usando meias novas".
25) Desenhe um pequeno quadrado no chão com giz, e diga para os outros: "Este é o meu espaço!"
Coisas para fazer no supermercado
1) Agarre 20 caixas de preservativos e ponha-as em vários carrinhos, aleatoriamente, quando a pessoa estiver distraída.
2) Programe os despertadores para tocarem de 5 em 5 minutos.
3) Vá ao atendimento a clientes e pergunte se podem reservar um pacote de M&Ms pra você.
4) Monte uma tenda na sessão de camping, diga aos outros clientes que vai passar a noite por lá, e convença as pessoas a trazerem almofadas da sessão têxtil e a juntarem-se a você para um luau.
5) Quando um funcionário perguntar se você precisa de ajuda, comece a chorar e grite: "Porque que vocês não me deixam em paaaaz?"
6) Encontre uma câmera de vigilância e use-a como espelho enquanto tira meleca do nariz.
7) Procure uma faca de açougueiro bem afiada. Leve-a contigo durante todo o percurso das compras e vá perguntando aos funcionários se ali vendem anti-depressivos.
8) Deslize pela loja com um ar suspeito, enquanto canta o tema da "Missão
Impossível".
9) Esconda-se atrás das roupas que estão expostas em cabides e quando alguém estiver vendo os produtos grite "ME ESCOLHE! ME LEVA PARA CASA!"
10) Quando alguém anunciar seja o que for no alto-falante, deite no chão, em posição fetal, e grite: "Nãããoooo! As vozes! Outra vez as vozes!"
E, por fim:
Vá ao provador de roupa. Feche a porta, aguarde um minuto e depois grite: "Onde é que está o papel higiênico?!"
FILHO Pai, por que o senhor sempre diz que tenho que ser são paulino?
PAI Porque o São Paulo é o melhor time do mundo. É o tricolor!
FILHO Mas ele não foi rebaixado para a segunda divisão do campeonato paulista de 1990 e tiveram que fazer uma manobra para trazê-lo de volta?
PAI É verdade. Mas isso só aconteceu por causa de uma trapalhada da Federação Paulista, e, além do mais, já faz muito tempo.
FILHO Mas em 1990 ele também não perdeu o título brasileiro pro Corinthians?
PAI É, meu filho, perdeu. Mas eram outros tempos, aquele time estava sendo formado, o Corinthians tinha Ronaldo, Neto, o estádio todo a favor. Deixa pra lá.
FILHO Mas, Pai, o Morumbi não é o estádio do São Paulo? Então como é que tinha mais corinthiano?
PAI Eles estavam empolgados porque não acreditavam naquele time e de repente foram pra final. É isso!
FILHO Mas, Pai, dos 10 maiores públicos da história do Morumbi, 6 são do Corinthians, sendo que o recorde absoluto com mais de 145 mil pessoas em 1977 também é dele. O dono do estádio não deveria ter esses recordes?
PAI Tá, filhão, tudo bem, a torcida deles é maior que a nossa, vai muito mais ao estádio, e daí? Isso não ganha jogo.
FILHO Mas, então porque que nos confrontos diretos o placar está em 105 vitórias do Corinthians contra 86 do São Paulo?
PAI #@$%!¨¨&*%, filho. Isso é porque eles deram muita sorte contra a gente. Não mereciam ganhar metade desses jogos. O que importa é que temos mais mundiais que eles.
FILHO Mas, Pai, minha professora de geografia me ensinou que o mundo tem 5 continentes: América, Ásia, Oceania, Europa e África. Se a final era entre um time da América do Sul contra um europeu, pode ser chamado de mundial? Na Europa eles chamam isso de "Torneio Intercontinental". 1 continente e ½ é mundo, pai?
PAI Não interessa! Isso vale muito mais do que aquele torneio de verão que o Corinthians ganhou.
FILHO Mas aquele torneio de verão teve os campeões dos 5 continentes, mais o campeão do país sede, que, por acaso, era o Brasil e que, por acaso, tinha o Corinthians como bicampeão nacional. Além disso, tinha a chancela da FIFA, enquanto o do Japão só tinha o da montadora de veículos, não é mesmo? Então está 1 a 1 em títulos mundiais não é, pai?
PAI Cê tá de sacanagem, né, filho?! Que conversa é essa?
FILHO Sabia que a Copa Toyota nem existe mais, pai? Se era tão boa, por que acabou?
PAI É que agora a FIFA resolveu fazer um mundial oficial dela, com representantes de todos os continentes.
FILHO Ah, entendi. Como aquele de 2000, né, pai?
PAI AAAAAIIIIIIII, que raaaaaaaaaaiva! É, filho, como aquele de 2000.
FILHO Pai, por que a copa Toyota era transmitida para cerca de 30 países com audiência estimada em 400 milhões de pessoas e o Mundial de 2000 foi transmitido para 63 países com audiência superior a 1,5 bilhão?
PAI Não sei, moleque. Pára de fazer pergunta cretina!
FILHO É cretinice perguntar por que a maior audiência da história do SBT foi a final da Copa do Brasil de 95, vencida pelo Corinthians, com 45 pontos de audiência, a maior audiência da história da Band foi a final do Mundial da FIFA de 2000, vencido pelo Corinthians, com 53 pontos de audiência, e dos últimos 20 recordes de audiência esportiva da rede Globo 11 são do Corinthians?
PAI #@$%!¨¨&*%, moleque! O que é isso? Resolveu pegar no meu pé agora?
FILHO Claro que não, Pai. Mas, não importa. Vamos falar de grandes personalidades do mundo, afinal estou vendo que o senhor já está ficando estressado. A maior cantora do Brasil de todos os tempos, Elis Regina, essa era são paulina, né, pai?
PAI Não! Corinthiana.
FILHO Tudo bem, mas o maior ídolo do esporte brasileiro de todos os tempos, Ayrton Senna, esse era campeão, tinha que ser são paulino, não é mesmo?
PAI Não! Corinthiano.
FILHO Beleza, Pai. Não estressa! Vamos sair do esporte. O homem mais rico do Brasil, o maior empresário que existe no país, Antonio Ermírio de Moraes, esse sim é tricolor, não é?
PAI - Não! Corinthiano.
FILHO #@$%!¨¨&*%, pai. Tá ficando difícil. Vamos mudar de novo. O presidente da república, o homem mais importante da nação. Esse só pode ser tricolor.
PAI Não! Corinthiano.
FILHO E o anterior a ele, o Fernando Henrique, esse sim, hein, Pai?
PAI Não! Corinthiano.
FILHO Mas o outro antes dele era, né, Pai? O Itamar.
PAI Não! Corinthiano também.
FILHO Caramba, pai! Assim não tem jeito. Vamos mudar de sexo, então. Vamos falar das mulheres. A grande Marta, melhor jogadora do mundo do futebol feminino, a Hortência, maior jogadora de todos os tempos do basquete, a Dayane dos Santos, maior ginasta do país, pelo menos uma delas é são paulina, não é mesmo?
PAI Não! Todas corinthianas!
FILHO Tá de sacanagem, né, Pai?! Ninguém importante é são paulino?
PAI Claro que sim... tem sim. Aquele... o grande, o internacionalmente conhecido vocalista do Ira, o Nasi!
FILHO Ah...
PAI Chegaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, moleque! Assim não dá! O que mais você quer saber? Já cansei dessas perguntas irritantes.
FILHO Tá bom, Pai, acho que exagerei. Vamos fazer o seguinte, me leva pro Morumbi, vamos ver um jogo do tricolor.
PAI Não dá!
FILHO Por que, pai?
PAI Porque não temos carro.
FILHO Tudo bem, vamos de metrô!
PAI Não passa lá.
FILHO Tá, então vamos de ônibus.
PAI Só pegando dois e ainda corremos o risco de não ter pra voltar, por causa do horário.
FILHO Caramba, Pai. De que vale ter um estádio grande se a gente não pode ir pra lá numa quarta-feira à noite? O Pacaembú é alugado, mas a torcida do Corinthians pode ir. Será que é por isso que toda quarta-feira eles jogam pra 20, 30 mil pessoas enquanto o São Paulo joga pra 3 mil?
PAI - (RESPIRA FUNDO E CONTA ATÉ MIL)
FILHO Calma, paizinho, não fique nervoso. Sempre somos melhores em alguma coisa. Pelo menos somos chamados de bambis enquanto eles são chamados de gambás. Bambi é um bicho forte, valente, perigoso, voraz, não é pai?
PAI (CHORANDO) Nããããooo, seu desgraçado! Não é! É um personagem de Walt Disney. Tá satisfeito agora, seu bobo?!!
FILHO Chega, Pai! Assim não dá. Eles tem mais torcida, mandam no nosso estádio, tem mais vitórias em cima da gente, tem mais torcedores ilustres, jogam em um estádio bem localizado, tem apelido macho, enquanto somos chamados de bambis, dão mais audiência na TV e o senhor ainda quer que eu seja são paulino, pai?
Era setembro de 1981. Toda a floresta estava em festa, nascia o primeiro filhote da Mamãe Coala. Nascera pequenino, mas esbanjando saúde. Parrudinho e com um singelo sorriso nos lábios, imperceptivelmente tortos. A Mamãe era um poço de felicidade. Olhava sua cria, tão pequena e tão dependente do seu gigante corpanzil tão aconchegante. Ela, que sonhara a vida inteira encher sua árvore de filhotes, enfim, começava a coleção. Aquele nanico filhotinho, entretanto, seria fundamental para o futuro daquela família de mamíferos. Talvez por ser o primogênito, cresceria com um senso de responsabilidade e companheirismo nunca dantes vistos pros lados daquelas matas e ajudaria a Mamãe a criar todos os futuros irmãozinhos. Estava ali, no colo da progenitora, sob os olhos atentos de preguiças, tamanduás, quatis e flamingos, que visitavam o pequeno recém-nascido. Por sua alegria e simplicidade, recebeu da Mamãe um nome inusitado: o pequeno chamar-se-ia Muqueca, e já nascera com a missão de tornar o cruel mundo das selvas um pouco mais dócil, ameno e por que não dizer? humano.
Alguns meses depois, lá estavam as cutias, capivaras, gatos-do-mato e duas ararinhas azuis a recepcionar a segunda cria da Mamãe Coala a ganhar o mundo. O pequeno Muquequinha já corria pelas árvores, todo orgulhoso do irmãozinho. E que irmãozinho! O segundo da fila nascera com doze quilos. O maior bebê-coala a se ter notícia nas florestas tropicais. Mais algumas semanas de vida e já estaria maior que a Mamãe. Pobre dela para transportá-lo nas costas até que ele tivesse domínio absoluto das próprias patas. Uma peculiaridade, além do visível gigantismo, o diferenciaria dos demais coalinhas. Seus pêlos tinham um tom escuro bastante característico, o que o configurava como o único coala negro daquelas terras. Por sua astúcia e vigor físico, ganhou o nome do pai: o pequeno amontoado de músculos chamar-se-ia Afonso.
Dois anos mais tarde, a Mamãe Coala ia pela terceira vez ao berçário da selva. Amparada por tartarugas, um tucano, uma família de ouriços e uma velha senhora codorna, a matriarca dos marsupiais deu a luz a um lindo coalinha de olhos verdes. Mais um que nascia saudável, e que traria muito orgulho àquela família. Mais tarde, descobririam seu talento para as artes. Faria sucesso no cinema, teatro e nos palcos do mundo da música. Já pressentindo o sucesso da cria, a perspicaz Mamãe dera-lhe um nome forte, que seria capaz de sustentá-lo no concorrido meio das celebridades. O terceiro da fila carregaria consigo o nome Ferro. Os olhos de Afonso e Muqueca brilhavam ao ver a juventude do mais novo coala da floresta.
Julho de 1985. Maritacas anunciavam no céu a chegada do quarto filhote de coala. Os sagüis faziam algazarras nas árvores e os rouxinóis dançavam um balé de beleza ímpar sobre os galhos onde residia a família Coala. Nascia mais um jovem mamífero. A Mamãe, já orgulhosa dos outros três, ficava cada vez mais feliz ao ver os seus galhos cada vez mais cheios de filhotes brincando. Enquanto todos congratulavam a Senhora Coala por sua cria, notaram que o pequeno não estava mais em seu ninho. Havia fugido, e o danadinho fora encontrado minutos depois atrás de uma árvore flertando com uma filhote de lebre. E com apenas algumas semanas de vida ele já havia paquerado uma foca, duas jaguatiricas e uma zebra. A Mamãe não pensou duas vezes: o pequeno chamar-se-ia Cano. Infelizmente o momento triste da vida da Senhora Coala também veio desta cria. Foi quando ela viu, certa vez, o pequeno Cano brincando com Ferro, Afonso e Muqueca não conseguir fugir e foi atropelado por uma manada de hipopótamos velocistas. Foi a nocaute. Cicatrizes no nariz o acompanhariam eternamente.
Mais meio ano e a Mamãe Coala retornava ao consultório do Doutor Texugo pela quinta vez. O quinto filhote estava a caminho. Um tatu e uma raposa a ajudavam nos últimos preparativos para o pequeno a conhecer a selva. E ele chegou. Nasceu bem menorzinho que os outros quatro. Os pêlos das sobrancelhas eram grossos e fortes. Apesar da desvantagem física em relação aos irmãos, era o mais fofo. Demoraria mais a aprender a falar e a andar. Seria sempre o mais avoado. Seu nome? A síntese da sua personalidade: Lilli. Lilli cresceria como um misto de fragilidade e força interior. E a esta altura da vida, Muqueca já ganhava um trocado fotografando a Companhia de Dança dos Beija-Flores, Afonso vencia o primeiro campeão de vale-tudo da floresta derrotando um rinoceronte na final e Cano ganhava o primeiro Concurso de Mister Selva, desfilando com sensuais trajes íntimos.
Maio de 1986. Afonso leva nos braços a Mamãe grávida para o consultório. Cano, Lilli e Muqueca o seguem, aguardando o nascimento do novo irmão. Com esse, seriam seis. Sem complicações, nascia mais um coalinha no reino das selvas. Um babuíno, amigo da família, o ergueu e o apresentou a todos na selva. Um velho panda, a dialogar com um casal de lagartixas, desejava sorte ao pequeno marsupial. Assim como Lilli, o sexto filhote nascera com frágil porte físico. Seguindo a linha de raciocínio do último filhote, Mamãe Coala dera-lhe o nome de Didi. O caçula em pouco tempo já lideraria a família Coala e assumiria o posto de chefe. Mais do que isso, assumiria também uma estranha capacidade de impetrar confusão por onde passasse. As gazelas que o digam.
Quando pensava já ter fechado a fábrica, a Mamãe surpreendeu a família com uma inesperada notícia: estava esperando um sétimo coala. Já de idade, teve uma gravidez de risco, mas um parto tranqüilo. As cegonhas enfermeiras experientes a trataram com a atenção que a Senhora Coala merecia. Camelos, águias e iguanas vieram de longe ver aquele que fecharia com chaves de ouro o ventre da Mamãe. Tal qual os dois últimos nasceu magro, contudo, este era bem maior. Os pêlos do bigode, finos e negros, eram sinais de saúde segundo uma antiga tradição. O sétimo coala seria muito ligado a Ferro e também se enveredaria pelo caminho artístico. Ganhou o nome de Maicou, único nome internacional da prole, e, com ele, Mamãe Coala ligava as trompas e decidia não ter mais filhotes.
O tempo passou. Um a um os pequenos foram deixando a floresta. Afonso foi o primeiro. Deixou a selva e o país. Foi conhecer a gelada tundra, no norte do globo terrestre, e por lá se estabeleceu. Maicou e Ferro conseguiram, com uma girafa e um leão marinho, fazer sucesso no mundo da música e partiram em turnê. Lilli especializou-se em tecnologia e foi chamado a trabalhar na Nasa, não pôde recusar. Cano e Didi tornaram-se escritores. Começaram cada um com um blog. Evoluíram para livros. Escreveram novelas, roteiros de cinema, artigos de jornal. Em pouco tempo dividiam a presidência da Academia Animal de Letras. Sobrou apenas um. O primogênito.
Muqueca não foi capaz de deixar a velha Coala, já com dificuldades de locomoção, para trás. A dor da despedida dos irmãos fez rolar-lhe uma ou outra lágrima. Mas ele ficou. E não vai embora. Ele, que cresceu ali naqueles galhos, pulando de eucalipto em eucalipto, tomou a decisão: dali não sai mais. A Mamãe Coala só tem saudade do tempo em que seus galhos eram recheados de pequenos coalinhas a sorrir. Mas ela sabe que eles estão seguindo os seus rumos. A vida segue. Quando possível, eles se reencontram e relembram das brigas, dos choros, dos namoros, das festas na floresta. Contam suas rotinas, seus problemas.
Queriam voltar no tempo. Se pudessem, talvez tivessem aproveitado um tiquinho mais ali, um tantinho mais acolá. Não dá mais. Agora são adultos. E tudo que a Mamãe queria era ver seus filhotinhos correndo, brincando, pulando. Queria eles de novo nos braços, para niná-los. Peraí, alguém acaba de deixar uma cesta lá embaixo do galho. Descem os oito correndo. Uma cesta e um bilhete. No bilhete os dizeres:
Por favor, aceitem o meu filhote. Não tenho condições de criá-lo. Não deixem que este bebê-coala aqui não sobreviva. O nome dele é Ré.
E no primeiro post de 2008, uma homenagem à minha amiga Futebolzinha, que, sem que ninguém percebesse não perdeu tempo e não esperou terminar a faculdade para entrar no ramo do comércio.
A pequena caçula da família Futebol abriu uma boutique de roupas finas em Juiz de Fora, mas, por pura modéstia, não contou nada aos seus jovens amigos universitários.
Ela só não contava que eu passaria em frente ao seu estabelecimento e flagraria as vendas indo de vento em popa durante o período natalino.
Parabéns, Ana Luiza!
Flagra da "Zana Modas", o seu lugar de vestir bem!
Mas caso olhe para trás, sentirá vontade de chorar. No máximo uma espiadinha. Verá a sala de aula, onde hoje reúnem-se os colegas, poucos instantes por semana, para tratar de coisa séria. Ao longo de quatro anos, a sala que era cheia foi aos poucos se esvaziando. Empurraram-nos várias histórias, além de economias, letras, teorias e práticas. Poucas coisas imperdíveis. Dos espectadores, apenas a metade sobreviveu até o triste fim. Complicado de aceitar estamos no Dead Line.
A sala de aula, ambiente secundário, mas palco de episódios marcantes. Entre os protagonistas, um professor de Filosofia que contava mentiras, um de Ética que pegava as alunas, um de Assessoria que rasgava o verbo sem pudor, uma muito gostosa que lecionou Redação e Expressão Oral. E ainda: aquele estudante que discordava de tudo, outro maloqueiro e sofredor, um amável senhor cachaceiro, aqueles defensores do movimento estudantil, um fotógrafo que de vez em quando sumia.
Uma cantora fenomenal, um pessoal de sotaque esquisito, um bom moço do Norte de Minas e as feras do telejornalismo. Um desenhista de outro mundo, uma de cabelo de ovelha, uma de língua presa e a dona da maior gargalhada do mundo. Uma garotinha que pegou a galera toda, um flautista que não tem preço, uma que bebe Vodka, uma mãe loira do funk. Um carioca de Campinas, um candidato a prefeito, um pop-star sempre com um violão a tiracolo e aquelas das cirurgias plásticas.
Uma virgem. Um cidadão que com certeza tá na moda, os saudosos bioquímicos e um cara com a cabeça e o cérebro gigantes. Uma maníaca por histórias em quadrinhos, uma recatada com apelido de Bebinha, a turma do Café. Uma respeitada escritora, um palhaço que proferia baboseiras sobre o amor durante as aulas.
Recordações de momentos intensos, de conflitos, bebedeiras, trocas ou mesmo compatibilidade de namoradas. Lembranças da turma de calouros que começou unida. Tão unida que virou pegação. Baladas durante toda a semana. Trabalhos em grupos de vinte componentes. Vários marmanjos de queixo caído por certa mocinha de Guarapari, que, por sinal, sem tardar foi fisgada e mantida em boas mãos. Babacas que se autoproclamaram um bicho da Austrália. Luau às quintas-feiras, onde todos ingeriam um veneno negro chamado Suco Gummy. Churrascos com cerveja Krill quente, a 1 real, bunda-lelê. Sinuca no Subsolo. Xixi de porta aberta, Xixi sem tirar as calças. Falta de aplicação generalizada em Editoração. Alunos vegetativos, às manhãs de sexta-feira, nas aulas de Ernane. Vida Social no extinto Complexo do Betinho. Vibramos com o Imprensionados até o apito final. E também com o Balango. Casa 39, Poscasting, Dentro do Balaio. Erecon, Intercon, Projetos para o Semestre. Logus, Physis, Lar dos Velhinhos. Hospital São Sebastião: o hospital melhor do Brasil. Arthur Bernardes.
Expedições a Diamantina, Mangaratiba, Juiz de Fora, Ibitipoca. Bartucada em Teixeiras, Buchecha em Guiricema, Casaca em Ervália, Los Hermanos em Ouro Preto, Latino em Porto Firme. Nico Lopes, Ferro na Boneca, Ararita, Alunte, Jacu do Blues, Nico Loco. Dom Mingote. Sítio da Rua Nova, Paraíso, Adão. Sítio do Pelé. Bebedeiras no Denílson, Helinho, Sabor e Cia.
E os parceiros, difícil enumerar todos. De início, contávamos com os consagrados Bruno Winckler e Thiago Futebol Clube, além do gigantesco e eterno Afonso mas eles se foram precocemente. Joselitas, também companheiras, disseram adeus no meio do caminho. No mesmo time, tínhamos craques como Rivaldo, Ronaldo, Baby, que foram bilhar em outros gramados. Mais tarde, perdemos Inácio Cunha, Randy e a Turma da Floresta. O pequeno Manoel, que tanto nos ensinou, foi outro que partiu. Douglitos, vimos escapar por entre nossos dedos.
Em compensação chegaram reforços de peso como o jurídico Bel, a dupla de dissidentes Vitor Place e Victor Fumaça, a corja fantástica dos Lillis Lillizinho, Lilli 3 e Lilli 4, a nova geração da Produção e, ao contrário do que muitos poderiam presumir, o elástico Régis. Rofolfão teve uma passagem rápida, mas fundamental. Em 2006, aqui embarcaram ninfetas gostosas, calourinhas que foram acolhidas com carinho. Além disso, assinamos com Inácio Rios e conseguimos renovar com o carismático Cabeça e o fantástico Lock.
Os inimigos foram pouquíssimos, mas necessários. Até mesmo os Gazelas são dignos de gratidão, afinal, que graça haveria se o clima fosse completamente amigável e civilizado? Falando nisso, agradeçamos ao professor Bigode por não deixar que tudo fosse tão fácil e à dinastia dos Thomas, liderada pelo patriarca Paulo, que nos proveu bastante experiência desnecessária de longas jornadas em sala de aula.
Imensas gratidões, também, àqueles que acompanharam de perto nosso desempenho. Jamais serão esquecidos: Pepsi, Zé Gatão, Marcelo Shorts, Anderson Anderson, Anderson, Andersinho, Letícia Cocô, Nat-tália, o cara de Monlevá, Jaque Brasila, Cachoeira Maluco, o viadinho, Cícero, os caras da excursão do Carnaval, Cerezo, Vanderleta, Lilli 2, o garçom Arlindo, Adílson do RU, Ana Paula Love, J.R. Duran, Rizzio Board, o Mijelinha Alemão, Pitty e seu fiel escudeiro Pittinho, o Saponáceo da Farmácia, entre outros...
Parecia mesmo que não ia ter fim. O conto de fadas chamado Viçosa, o lugar onde todo mundo é Place, cenário de tantas aventuras. Talvez nem dê tempo de despedir de tudo e todos antes do adeus. Começar na quinta-feira, dando um abraço no Japonês. Agradecer pela cachaça. Ali, já dá para matar o Leão e o Ramirez. Aquiles, Mijela, Arlindo do Amendoim. Quero encontrar Valmir, e, com bastante sorte, Blig. Se possível, divertir com Bliguinho. A Denílson, já foi prometida uma festa de despedida regada a cachaça dourada, tropical, infernal ou da paz. Rogerinho, autor do melhor grito de guerra do mundo, faz tempo que anda sumido. Pastel no Zequinha é imperdível. Paulo Dimas de Oliveira deve estar por aí, sempre, universal, trabalhando, construção civil, esperando materiais. Ou mesmo de bobeira Que Deus o proteja.
Festa lá no Coalas é garantido, Casa da Vovó não dá mais. Uma balada no Galpão. Outra no Subsolo e no Multiuso. Lama na cervejada. Procissão, onde as coisas acontecem. Capelôncio, Felipôncio, Héctor Bataglia. Batcaverna, Sonic IQ, Carraspana, Festa dos Dias. Casa da Vivi, Casa do Vitão. Festa dos Dias, Festa do Fetiche. Churrascôncio, Churrasco do Cano. Acho que não vai dar tempo.
Corrida atrás de estágio, agora, atrás de emprego. Tá acabando a vida boa. O aperto no coração, cada vez mais ferrenho, a saudade dos amigos, de lugares, de situações e momentos. Monografias, Web TV, vídeo documentário, primeira publicação por jovens jornalistas. Sintomas de que agora somos gente grande. Chega o Dead Line e, interessante, quase ninguém mais quer se pegar. Só amizade e nostalgia antecipada. No Dead Line, lembramos de pedir perdão a quem magoamos e no fim acaba tudo bem. Não há mais tempo para ressentimentos. Tampouco para uma nova paixão ou a consolidação de um amor recorrente. Nem de vender todos os móveis. Começa uma nova vida a partir do Dead Line.
O último a sair, apague a luz e saia sem olhar pra trás.